Breve histórico da AFLAG

Homenagem de Bento Fleury

Publicado em 29/11/18

Célia Coutinho Seixo de Britto (1914-1994), escritora, poeta, artista plástica, autora de "A mulher, a história e Goiás"; "Nossos vestidos brancos" e "Estrangeiros em Vila Boa e outras terras de Goyaz", os dois últimos a serem lançados em breve. Guiomar de Grammond Machado (1901-1985), poeta, farmacêutica e escritora, autora de "Mensagens". Luisa de Camargo Ferreira (1914-2004), poeta, cronista, autora de "Do baú de Luisa" e Nair Perillo Richter (1915-2000), cronista, pesquisadora, autora de "Canto de cigarra" e "Tempo de sonhos". Ilustres, dignas, honradas, deixaram um caminho luminoso ao porvir. Em cada uma delas, com suas dedicadas vidas, um pedaço sutil da eternidade!

Regina Lacerda (1919-1992), escritora, poeta, pesquisadora e folclorista, dedicada aos estudos das manifestações populares de Goiás, autora de "Vila Boa - história e folclore"; "Papa ceia"; "A independência em Goiás"; "Histórias que o homem de bronze contou"; "Cantigas e cantares". Belkiss Spencière Carneiro de Mendonça (1928-2005), nome maior da música em Goiás, cronista, pianista de reconhecimento internacional, professora, fundadora do Conservatório de música pioneiro de Goiânia, hoje pertencente à UFG. Foi cronista do Jornal O Popular, autora de "A música em Goiás". Genezy de Castro e Silva (1909-2005), cronista, contista, professora de francês, jornalista. Redatora do Jornal O Lar, na Cidade de Goiás, vice-diretora do Gabinete Literário Goiano, publicou trabalhos na Revista Oeste, Revista de Educação, Jornais O Popular, Cinco de Março, Folha de Goiaz, Quarto poder, Diário da manhã. Eurydice Natal e Silva (1887-1970), cronista, contista, pesquisadora. Criou a primeira Academia de Letras de Goyaz em 1904 e foi sua primeira presidente. Pianista, musicista, publicou: "Ecide", "Notas de uma viagem ao Araguaia" e "Coletânea". Também foi tradutora de textos de diversos autores mundiais. Nos seus nomes, tão limpos e importantes, a história, a arte, as letras, o encantamento de Goiás se fez presente na alma feminina, no coração doce e na tessitura poética de suas almas puras.

No sendal idealista da AFLAG, nesses quase 50 anos, a altivez e o talento da mulher goiana na expressão das diferentes manifestações artísticas como legado imperecível às novas gerações. Na galeria dos grandes nomes, inesquecíveis figuras que o tempo não apaga. Maria Paula Fleury de Godoy (1894-1982), contista, cronista, poeta, jornalista. Primeira grande expressão goiana conhecida em outros estados, inclusive durante a Semana de Arte Moderna. Pioneira do modernismo poético em Goiás ao lado de Leo Lynce. Autora de "Sombras"; "Suave caminho"; "Nós elas"; "A longa viagem"; "Realidade e sonho" e "Velha casa". Mariana Augusta Fleury Curado (1897-1986), contista, cronista, novelista, genealogista. Primeira colunista social de Goiânia. Presidente da LBA em Goiás. Autora de "Vida"; "Rua do Carmo"; "Do meu cantinho" e "Fleurys e Curados". Goiandira do Couto (1915-2012), pintora e professora, celebridade vilaboense de reconhecimento internacional na utilização das areias da Serra Dourada, com seu estilo inigualável. Pintava a natureza com a própria natureza. Nelly Alves de Almeida (1916-1999), professora, filóloga, memorialista, contista, cronista, também de reconhecimento nacional na área da linguagem, autora de "Tempo de ontem"; "Estudos sobre quatro regionalistas"; "Análises e conclusões"; "Presença literária de Eli Brasiliense"; "Análise literária de Homens de Palha" e "Registro de uma obra". Em todas elas, com suas inteligências carregadas de telurismo e poesia, a alma goiana se derrama. Mulheres de lutas e de labutas.

Na saga da AFLAG pelas sendas culturais de Goiás, a delicada estrada, orlada de flores/palavras, tecidas nos corações de mulheres inesquecíveis. Armênia Pinto de Souza (1910-2004), romancista, professora, pesquisadora, funcionária dos correios e telégrafos. Pioneira de Goiânia. Entusiasta da vida, talento polivalente, admirável mulher. Publicou: "Mariana, uma história de vida"; "Goiânia: a saga dos pioneiros"; "O romance de Elisa"; "Um anel de esmeralda"; "O diário"; "A estrela cadente", "Assim começou tudo"; "O mistério da montanha". Telezila Netto Blumenshein (1907-1979), poeta, professora, jornalista, de grande talento. Autora de "Caminho feliz" e "Infinita manhã". Nice Monteiro Daher (1915- 2011), oradora oficial da AFLAG. Cronista. Contista. Poeta. Oradora eloquente, de grande expressão verbal, poética e lírica, de inesquecíveis momentos culturais. Autora de "Lembranças em quatro tempos"; "Caminhos"; "Revoada"; "Velhos portais". Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (Cora Coralina - 1888-1985). Poeta, expressão máxima da força da mulher telúrica em Goiás. Artesã da palavra. Talento reconhecido nacionalmente. Um ícone de Vila Boa de Goiás. Autora de "Poemas dos becos de Goiás e estórias mais"; "Vintém de cobre"; "Meu livro de cordel"; "Estórias da casa velha da ponte"; "Os meninos verdes". Ricas expressões de nossa arte, dignas e honradas mulheres que são patrimônio moral e cultural da terra goiana, orgulho de todos nós.

Na beleza da caminhada intelectual da mulher de Goiás, nos itinerários floridos da AFLAG, as rosas que se derramaram na essência que se multiplica em sentimentos eternos. Lindas mulheres!. Yêda Schmaltz (1941-2003), poeta, professora, inovadora do fazer poético goiano. Nome sempre lembrado pela magistral atuação nas artes. Deixou dezenas de livros,dentre os quais "Caminhos de mim"; "Secreta ária"; "Tempo de semear"; "Alquimia de nós". Célia Siqueira Arantes (1928-2012), poeta, cronista, contista, professora, pesquisadora. Grande ativista cultural em Anápolis e Goiânia, admirável conferencista. Publicou "Chão livre" e "Fios da memória". Neusa Rodrigues de Moraes (1932-2006), artista plástica formada pela Escola de Artes de São Paulo. Professora da UFG. Admirável artista de tantos monumentos pelo país e, em Goiânia, os dois mais belos da Praça Cívica: "O Monumento a Goiânia" e "Pedro Ludovico". Nome inesquecível da escultura em Goiás. Mirza Perotto (1934-2015), pianista, professora, pioneira também do Conservatório de Música da UFG. Nome inesquecível das artes musicais em Goiás, pela atuação marcante no magistério, na formação de gerações e gerações de músicos. Nessa linha de encanto, paz e ternura, seguiu a mulher aflaguiana, nos ideais nobres do espírito e da ternura.

No itinerário cultural da AFLAG, cada acadêmica, na linha do tempo terreno, nas aptidões e talentos, soube colocar um ramo florido no grande ramalhete, agora, com os perfumes de saudades. Mulheres que foram sal da terra e luz do mundo! Marilda de Godoy Carvalho (1924-2011), arquivista pioneira de
nosso Estado, fundadora do Arquivo Histórico Estadual de Goiás, poeta, cronista, contista, historiadora. Uma alma admirável, sempre presente em nosso coração. Autora de "Bailado da vida" e "E o bailado continua", em parceria com sua irmãs Terezy e Augusta de Godoy. Lygia de Moura Rassi (1933-2005). Poeta, musicista, pianista, pesquisadora, genealogista. Foi presidente da AFLAG. Deixou uma obra de grande beleza, carregada de plenos sentimentos: "A prosódia"; "Encontros em cantos"; "Revertere"; Dos cedros às palmeiras". Graciema Machado de Freitas (1906-1985), grande nome das letras goianas nos anos de 1920. Publicou seus trabalhos em crônicas e reportagens em diversos jornais em Goiás e em todo o Brasil. Publicou em "O Lar"; "O Itaberay", "Cidade de Goiaz", "Folha de Goiaz"; precursora do sufrágio feminino nessas terras, pela conquista do voto; admirável filha de Jaraguá e primeira diretora do Grupo Escolar daquela localidade. Ayda Félix de Souza (1916-1992), contista, professora, cronista, jornalista. Teve grande atuação na imprensa goiana, nos jornais "Folha de Goiaz"; "Cinco de março" e "O popular". Publicou dois importantes livros de contos "É a noite" e "Filão extinto". Sublimes, lúcidas, atuantes, firmes e guerreiras, as aflaguianas estão na história cultural de nosso Estado para a eternidade.

Como um jardim florido, a AFLAG foi perfumando caminhos ao longo desses 50 anos que se aproximam. Deixou a essência de tudo que é belo, quando cada rosa, com seus encantos, esparramou pétalas por toda a estrada. Maria das Dores Ferreira de Aquino (1932-1990), professora, pianista, musicista. Pesquisadora da área musical e da história da música. Desde a antiga Silvânia, até a nova capital, fez do magistério uma vacação e um sacerdócio. Dalva Maria Machado Pires Bragança, graduada em piano em São Paulo. Fundadora do Conservatório de Música da UFG. Pesquisadora da área musical. Professora de Didática da música. Ícone dessa área em Goiânia; um talento maravilhoso a serviço de Goiás. Ada Ciocci Curado (1916-1999), romancista, contista, cronista, poeta. Estilo conciso, enxuto, urbano. Grande prosadora de elevados méritos. Publicou: "O sonho do pracinha"; "Morena"; "Nego Rei"; "Paredes agressivas"; "Figurões"; "Acalanto". Sílvia Lourdes do Nascimento Rodrigues (1929-1999). Poeta de raro encanto, musicista. Bacharel em Ciências Contábeis. Professora. Violonista e violinista de grande talento. Membro da UBE e da Ordem dos Músicos de Goiás. Teve uma vida cultural intensa e profícua, ao bem de nosso Estado. Publicou belíssimo livro de poemas intitulado "Madrugada". Autora do Hino da AFLAG. Assim, entre tantas pétalas derramadas, as mulheres, com seus pés aveludados, pisaram pedaços de céu nesse mundo dos goyazes.

No mundo lírico da AFLAG, eivado pelos bons sentimentos e florações de trabalho, arte, inspiração e paz, as mulheres seguiram o determinismo de seus destinos e plantaram flores espirituais. Floracy Pinheiro (Cici Pinheiro - 1929-1999) teve destaque como grande nome do teatro e da televisão em Goiás; pioneira da luta teatral, da profissionalização dos artistas e do mercado da produção de espetáculos em especial o "Gimba" e "A família Brondee". Almerinda Magalhães Arantes (1906-1996), professora, escritora e política. Uma das pioneiras da Assembleia Legislativa em Goiás, com lutas no campo da educação e da assistência social. Deixou suas crônicas publicadas nos anuários da Academia. Áurea Cordeiro de Menezes (1930-2017), irmã religiosa franciscana, professora, musicista, poeta, historiadora, cronista. Publicou: "Pelos caminhos do sol"; "O Colégio Santa Clara e sua influência educacional em Goiás"; "Dom Emanuel Gomes de Oliveira, o bispo da instrução", "A igreja em Goiás". Dinorah Pacca (1909-1970), professora e poeta; grande nome da poesia no Brasil, principalmente em Minas Gerais e falecida em Goiânia. Sua obra póstuma foi reunida no volume "Obras completas de Dinorah Pacca". Todas essas, com suas ternuras confessas, em talentos múltiplos, romperam barreiras e ganharam outras dimensões no tempo.

Por todas as estradas da AFLAG, no caminho do cinquentenário, vão sendo encontradas pétalas de flores em todas as esquinas do tempo. Norma Baiocchi Meideiros (Norma de Alencar), atriz goiana com atuação no rádio-teatro, na Rádio Brasil Central e Rádio Clube de Goiânia. Pioneira também na Televisão Anhanguera. Membro da AGT, junto com Otavinho Arantes. Participou de diversos filmes e programas de TV, com sucesso. Elza Nobre Caetano Costa. Poeta, declamadora, oradora em eventos oficiais. Professora. Poeta. Cronista. Deixou obra de inegável valor. Publicou "Trechos da vida" e "Contrastes e confrontos". Esther Barbosa Oriente (1922-2013), historiadora, escritora, pintora e professora. Deixou trabalhos de inegável valor para a historiografia goiana e nas artes plásticas. Publicou "Dona Gercina, a mãe dos pobres"; "Estrela editorial dos irmãos Taylor e José Oriente"; "Projeto Rondon: integrar para não entregar". Zilda Diniz Fontes (1920-1984). Professora. Poeta, pesquisadora. Liderança cultural da cidade de Morrinhos, com a destacada "Festa de arte de Morrinhos", por décadas seguidas. Deixou a publicação: "Morrinhos, de capela a cidade dos pomares". Assim, nesses e outros nomes, a AFLAG firmou-se no tempo e abriu clareiras de luzes abençoadas em pleno sertão! Viva a mulher de Goiás!

Bento Fleury

 

 

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