Oxigênio para alma
Professora Termiza deixa legado de ternura, educação e amor à família e à comunidade de Paraúna
Publicado em 01/09/26
Placidina Lemes Siqueira
2ª Titular Cadeira 12
Termiza Ternura; assim era chamada pelos sobrinhos, a professora Termiza, bem querida na cidade, a nossa Paraúna que a viu nascer. Nasceu e agora faleceu, eu falo que voou, deixando relatados de bons exemplos didáticos no seio da família Véi Orcello Lemes.
Então já bem debilitada, recebeu-me em seu quarto, pois o corpo só queria descansar em colchão agora macio. Corpo que fora muito ativo – mas seu Espírito é que continuava preocupado em nos amparar, como sempre, tão amável e responsável como fora desde a infância; *carinhosa de nascência*.
Naquela tarde, uns oito meses antes de seu falecimento, o seu calar definitivo, a sua fala ainda conseguiu alegrar-me, e muito, com esta pedagogia amorosa que lhe era peculiar; com voz rouca, já bem fraca narrou-me pausada e claramente, com a maior força de vontade como retratava seu semblante, quando se referia a seu bisneto de um Aninho e oito meses de idade; foi esta a historiazinha:
-Ontem, disse ela: ao meio dia, falaram para o Gabriel, em voz alta para eu escutar daqui:
-Vai, Gabriel, vai chamar a “Bisa” para almoçar! E ele (o elixir do meu coração) veio todo solícito, até minha cama e disse com aquela linguagem própria de aprendiz com pouco mais de um aninho, mas com muita firmeza de voz:
-Vamo vovó, vamo papá. Eu, me fiz de mais surda, abri os olhos e perguntei:
-O quê é? E ele repetiu com meiguice:
-Vamo papá…
Pegou minha mão e me levou até a varanda. Firmou a cadeira perto da mesa, esperou que pusessem o prato à minha frente; (a comida soltava fumaça…) bateu aquela mãozinha no meu ombro e saiu… deu dois passinhos apenas… e voltou rápido com o dedo em riste, mas com toda meiguice falou firme:
-Sopra, vovó, tá quente.
COLUNA PROSAS EM ARTES. Texto publicado no Jornal Opção, Goiânia, 21 de abril 2026.
Disponível em: https://www.jornalopcao.com.br/prosas-em-artes/oxigenio-para-alma-818014/