Penas
Entre culpa e perdão: o canto do Bem-te-vi que desperta a consciência
Publicado em 01/09/26
Sandra Maria Fontoura Queiroz de Pina
3ª Titular Cadeira 16
O Bem-te-vi
onisciente
me acordou
cedo hoje
Bem-te-vi! Bem-te-vi!
Me viu?
O que será que eu fiz
dessa vez?
Será que foi
porque cortei a ramaria
da pleomele do jardim
e caiu um ninho de rolinha?
Eu não sabia!
Eu não vi! Eu não vi!
Eu juro que eu não vi!
Só vi depois que o ninho
se soltou da folhagem
despencou no chão
quebrou os ovinhos
e me partiu
numa porção
de cacos e dores
Ou será que foi
pelo que aconteceu
na chuva forte outro dia
quando uma telha rachou
e a maritaca entrou no sótão
e morreu lá
sozinha?
Eu não sabia!
Eu não vi! Eu não vi!
Eu juro que eu não vi!
Só vi depois
que passou da hora
Eu a enterrei no canteiro
com carinho
e chorei chorei
Bem-te-vi! Bem-te-vi!
Vem aqui! Vem aqui!
Voa bem perto de mim
Pousa na minha mão
Quero te pedir
aconchego
paz e perdão
(por tudo que eu sabia…
e nada fiz)
COLUNA PROSAS EM ARTES. Texto publicado no Jornal Opção, Goiânia, 28 de abril 2026.
Disponível em: https://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/penas-820289/