Ascensão

Elen Carneiro Vale - Segunda ocupante da Cadeira 9 da AFLAG, a escritora morrinhense uniu literatura, artes plásticas e espiritualidade em uma trajetória marcada pela sensibilidade, deixando um legado cultural para Goiás

Publicado em 14/07/26

Ellen Carneiro Vale

Ellen Carneiro Vale

Cadeira 9

Aqui estou, caminheira que sou, de uma estrada sem fim.

A vida é um hino, poesia, romance e desfrutar; um poema.

Nesta jornada estou dando meus passos, galgando, subindo… vezes sem

conta escorreguei, cai. Levantei, ergui. Do alto, nunca esqueci.

Estou aqui, calada, determinada, só pensando, sem nada dizer.

Dialogando comigo mesma, eu e as estrelas.

Silêncio é segredo, magia…

Só a metáfora tem a chave dos dizeres que nunca disse. A palavra

repisada, nesta estrada deixou marcas no chão. Profundas…

A mente é força latente, como vertente, vai em frente. Nela confio. Sigo

esta corrente.

Cada dia, um novo dia, uma construção. Sigo o giro da luz solar e os ciclos das estações, ao clarão do luar.

Aqui estou, centelha que sou, querendo alcançar a Centelha maior, da qual

eu vim.

Caminhar, girar os ponteiros cardeais, saber quem sou.

O efêmero passou.

Imperativo é avançar, galgar, crescer.

Importa a seiva nutriz; o escorrer nas veias ancestrais.

No alto da escadaria, dizer aos ventos: Estou aqui!

Sou o soprar do sopro d’Aquele que me criou.

Nos ritmos da correnteza da alma “Eu Sou”.

Enigmático é o despertar de um sonho; encontrar-se.

Anos luz é um “instante” na elipse da eternidade.

O universo é minha Igreja.

Natureza, o santuário.

Aqui estou, diante do Altar.

Agora SOU!

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